Arroio Cavalhada: poluição da nascente até a foz

Foto Abertura
A nascente do Arroio Cavalhada – Crédito: Douglas Salvador

A equipe do Blog Jornalismo Ambiental da Uniritter foi conferir o estado do Arroio Cavalhada, que é apenas mais um dos cursos d’água poluídos de Porto Alegre. Verificamos o seu estado no bairro Belém Velho e no próprio Cavalhada.

Por Douglas Salvador
Jornalismo Ambiental / Noite

Dezenas de objetos jogados em uma pequena área, logo ao lado da nascente do Arroio Cavalhada, além de lixo residencial, roupas, pneus, objetos plásticos e até um smartphone são a companhia indesejada de quem procura a origem de um arroio que influencia na vida de tantas famílias durante o seu percurso.

Entre pedaços de madeiras e telhas, cercada por marcas deixadas pelo ser humano, surge uma leve corrente d’água aparentando não conhecer o triste caminho que a irresponsabilidade das pessoas lhe reservou.

Foto Smartphone
Smartphone encontrado na nascente do Arroio Cavalhada – Crédito: Douglas Salvador

 

Porém, os seus problemas de poluição não se resumem somente ao lixo, pois logo nos seus primeiros metros, o arroio recebe diversos esgotos que seguirão junto a ele por dezenas de quilômetros, levando o seu péssimo cheiro, uma das principais reclamações dos moradores próximos ao riacho, no bairro Belém Velho e Cavalhada.

O servente José Fernando, de 58 anos, que mora ao lado do Arroio Cavalhada desde os anos 90, diz que os moradores são os principais responsáveis por limpar o riacho.

“Sempre que chove forte o arroio transborda, trazendo muito lixo e galhos de árvores para dentro do pátio”. Segundo José Fernando, até os moradores que como ele moram próximo do riacho, jogam lixo nas suas margens. José Fernando também salienta a importância do trabalho do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), mas reclama que a frequência em que eles realizam a limpeza na sua área é muito baixa. Ele afirma que a frequência da limpeza do DEP na sua região não é menor do que 6 meses.

 

O Arroio Cavalhada tem a sua nascente no bairro Belém Velho, próximo ao Hospital Parque Belém, às margens da Av. Oscar Pereira, e segue um longo caminho até desembocar no rio Guaíba, bairro Cristal. É no próprio bairro Cristal que o DEP mais tem investido, porém fazer uma obra para o arroio não transbordar não seria necessário se a população fosse conscientizada da importância e consequência de não se jogar lixo no chão ou no próprio arroio.

 

Os próprios moradores disseram que até sofás são encontrados no percurso do riacho. A solução do problema não é tão simples como tirar resíduos do arroio. Os moradores das proximidades do Cavalhada são pessoas simples e com pouco acesso à informação. Enquanto essa comunidade não souber as consequências dos seus atos, podem ser construídas inúmeras obras para despoluir o Arroio Cavalhada, mas o problema só estará debaixo do tapete.

Foto Nascente
Nascente do riacho enfrenta problemas com esgotos e intervenção humana – Crédito: Douglas Salvador

Não é de hoje que os problemas de saneamento ambiental existem em Porto Alegre, já é claro que se precisa fazer muito para que a situação dos arroio e rios chegue pelo menos em um nível aceitável. Dizer que os órgãos públicos são os únicos responsáveis seria injustiça, mas o seu trabalho precisa ser revisto.

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