Alimentos orgânicos: qualidade de vida e sustentabilidade

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Seriam os orgânicos o alimento do futuro? A busca por estes alimentos e a qualidade de vida crescem cada vez mais.

Por Giulia Medeiros
Jornalismo Ambiental / Manhã

Vivemos em uma época na qual doenças derivadas de alimentos são muito frequentes, por isso estamos numa constante busca por novos hábitos de alimentação. Somos uma geração que questiona os problemas e que corre atrás de soluções e respostas, entre elas a alimentação orgânica. Mas o que este tipo de alimentação propicia? Ela é benéfica para saúde, bem-estar e ambiente?

A produção de alimentos orgânicos visa maior desenvolvimento sustentável e o equilíbrio entre o meio ambiente e o ser humano, onde todos possam interagir com respeito. Estes alimentos são aqueles cultivados na ausência de quaisquer insumos químicos, respeitando o meio ambiente e as relações sociais.

Dados do Instituto Biodinâmico (IBD), uma das instituições que certificam esses alimentos no Brasil, mostram que o mercado brasileiro desses alimentos teve taxas de crescimento de 30% a 50% ao ano e já possui a segunda maior área de agricultura orgânica do mundo.

Como a produção orgânica objetiva a realização de processos produtivos em equilíbrio com o ambiente, no cultivo estão proibidos agrotóxicos sintéticos, adubos químicos e sementes transgênicas. Os animais são criados sem uso de hormônios de crescimento, anabolizantes ou antibióticos, e de rações comerciais.

Para assegurar uma qualidade de vida maior para cada indivíduo, foram criadas normas de certificação muito rígidas. A produção deve obedecer a princípios rigorosos de manejo do solo, dos animais, da água e das plantas, buscando promover a preservação de recursos naturais.

Estes princípios e regras estão estabelecidos na instrução normativa Nº 46, publicada em outubro de 2011, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O Mapa é responsável pela gestão das políticas públicas de estímulo à agropecuária, visando à garantia da segurança alimentar da população brasileira e a produção de excedentes para exportação, fortalecendo o setor produtivo nacional e favorecendo a inserção do Brasil no mercado internacional.

Múltiplas escolhas

Dentro deste contexto, a procura por alimentos produzidos de forma orgânica, isto é, livres de fertilizantes químicos, agrotóxicos, antibióticos, hormônios e outras drogas usualmente utilizadas, tem aumentado gradativamente. O que ainda assusta o consumidor é a pequena diferença de preço deste produto dentre os demais nos supermercados, mas em determinadas regiões há uma “segunda opção” e a que mais faz sucesso entre as donas de casa: as feirinhas.

Consumidora dos alimentos orgânicos, a professora Simone Machado, frequenta assiduamente a feira que acontece no bairro Menino Deus, onde reside há 15 anos. “Eu realizo minhas compras semanais aqui e sempre encontro tudo o que eu preciso, verduras, frutas e legumes bem fresquinhos. Levo uma melhor qualidade para a nossa mesa lá em casa. Nos mercados não tem tanta variedade de produtos e com um preço acessível”, conta a professora.

Agricultura Familiar

Principal responsável pela comida saudável que chega às mesas das famílias, a agricultura familiar corresponde a cerca de 70% dos alimentos consumidos em todo o Brasil. O pequeno agricultor ocupa hoje papel decisivo na cadeia produtiva que abastece o mercado brasileiro: mandioca, feijão, carne suína, leite, carne de aves e milho são alguns grupos de alimentos com forte presença da agricultura familiar na produção.

Com condições de crédito favoráveis e a ampliação de mercado por meio de programas como o de aquisição de alimentos, a agricultura familiar segue estruturada e com investimentos crescentes. O Plano Safra 2016/2017, por exemplo, é um dos incentivos do governo para que este mercado cresça. A agricultura familiar teve investimento recorde de R$ 28,9 bilhões pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), no ano passado.

Você sabia que: o Dia Internacional da Agricultura Familiar é comemorado no dia 25 de julho?

Da escola para a vida

Outro fator que impulsiona o crescimento do setor de agricultura familiar e o consumo de alimentos orgânicos parte da merenda escolar. O governo do estado possui programas de incentivo que apoiam a compra destes alimentos. Por exemplo: nas unidades de ensino infantil, onde a criança permanece em turno integral, as refeições oferecidas são derivadas de um cardápio elaborado por um profissional da área da nutrição e baseada de acordo com a necessidade que cada idade precisa.

“Nós precisamos pensar em cada nutriente que a criança (em certa idade) precisa para que tenha um crescimento saudável e livre de doenças que possam agravar ao longo de sua vida”, explica a nutricionista Andréia Silveira, que atua na área de alimentação infantil há 10 anos.

A Escola de Educação Infantil Santo Antônio – CNEC tem como propósito incluir na vida escolar de crianças de 06 (seis) meses a 6 (seis) anos a vivência com ecossistemas a plantio. Na parte externa, há uma ampla área verde com playgrounds, horta, composteiras e criação de animais.

“Colocamos nossos alunos em contato com os animais e proporcionamos uma alimentação balanceada, para que eles possam crescer com a ideia de que se alimentar bem não traz apenas benefícios para si mesmos, mas sim para o mundo em que vivemos. Tudo ao nosso redor merece um cuidado redobrado. Estamos plantando e cultivando a semente de um mundo melhor”, diz Andréa Medeiros, pedagoga e diretora da escola há 5 anos.

A rotina das crianças é regrada. Eles realizam cinco das seis refeições indicadas, na escola, todas elas com um horário fixo. Alternando apenas 15 minutos para os alunos da pré-escola, que almoçam após os mais novos.

“Temos dois principais propósitos: nutrição adequada e educação para hábitos alimentares saudáveis. A escola oferece uma dieta naturalista, incentivando hábitos saudáveis, principalmente através das aulas de culinária inseridas nos projetos pedagógicos. Os educadores lancham junto com os alunos, reforçando o caráter educativo da proposta nutricional”, ressaltou a nutricionista.

Consumo e produção responsável

O conceito de desenvolvimento sustentável está interligado com a maneira qual o ser humano interfere na natureza. O incentivo que as novas gerações estão recebendo e que deverá ser repassado às próximas que virão é um grande avanço que nós estamos estabelecendo. Repensar as atitudes para melhorar a qualidade de vida é necessário uma vez que os danos causados durantes décadas não podem ser revertidos.

Na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, em 1972, a comunidade internacional adotou a ideia de que o desenvolvimento socioeconômico e o meio ambiente, até então tratados como questões separadas, poderiam ser geridos de uma forma mutuamente benéfica.

A Comissão Mundial das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento foi convocada para investigar as preocupações levantadas nas décadas anteriores acerca dos graves e negativos impactos das atividades humanas sobre meio ambiente, e como os padrões de crescimento e desenvolvimento poderiam se tornar insustentáveis caso os limites dos recursos naturais não fossem respeitados.

Desenvolvimento Sustentável: “Aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades”

O resultado desta “investigação” veio à tona 4 anos depois, através do relatório “Nosso Futuro Comum” publicado em abril de 1987, conhecido também como Relatróio Brundtland, em homenagem à Gro Harlem Brundtland, ex primeira ministra norueguesa que chefiou a comissão da ONU responsável por este trabalho que apresentou ao mundo o conceito de desenvolvimento sustentável.

No ano de 2015, o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, apresentou aos Estados-membros das Nações Unidas um relatório sobre o trabalho desenvolvido até agora que inclui os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Dentre eles, está o objetivo número 12: Consumo e Produção Responsável. Este objetivo prevê mudanças e melhorias até 2030, assegurando padrões de produção e de consumo sustentáveis citado acima.

Dentre elas, se destacam:

– Até 2030, alcançar a gestão sustentável e o uso eficiente dos recursos naturais;

– Até 2020, alcançar o manejo ambientalmente saudável dos produtos químicos e todos os resíduos, ao longo de todo o ciclo de vida destes, de acordo com os marcos internacionais acordados, e reduzir significativamente a liberação destes para o ar, água e solo, para minimizar seus impactos negativos sobre a saúde humana e o meio ambiente;

– Até 2030, garantir que as pessoas, em todos os lugares, tenham informação relevante e conscientização para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida em harmonia com a natureza.

A saúde e a qualidade de vida de uma população decorrem da quantidade e qualidade dos alimentos ingeridos, assim como de seu estilo de vida e informação disponível. A integridade e a biodiversidade da flora e fauna subterrânea dispõem para as plantas uma variedade de nutrientes, o que acarreta melhor qualidade dos alimentos que consumimos. Visto que a nutrição é o resultado da interação entre a nossa alimentação e o nosso organismo. Portanto, é fundamental que recuperemos nossa sensibilidade e possamos reconhecer nossas demandas essenciais, fazendo escolhas alimentares mais saudáveis diante de tantos novos produtos disponíveis. Assim, colaborando para uma melhora na vida do ecossistema que vivemos.

Fontes consultadas:

http://www.mda.gov.br/sitemda/secretaria/saf/programas

http://www.agricultura.gov.br/pap

http://www.undp.org/content/brazil/pt/home.html

http://ibd.com.br/

http://codaf.tupa.unesp.br/informacoes/a-importancia-da-agricultura-familiar

http://www.agricultura.gov.br/desenvolvimento-sustentavel/organicos

http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/Desenvolvimento_Sustentavel/Organicos/Legislacao/Nacional/Instrucao_Normativa_n_0_046_de_06-10-2011_regulada_pela_IN_17.pdf

 

 

 

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