Estamos preparados para uma crise hídrica?

Arroio Capivara, no bairro Ipanema, é uma das fontes de poluição do lago Guaíba que abastece Porto Alegre (RS) – Crédito: João Pedro Zettermann

Os avisos foram dados por muitos anos. Diversas pesquisas feitas por especialistas apontavam que o Brasil seria vitimado por uma crise hídrica no decorrer dos anos. O desperdício excessivo da água cobraria um preço com o passar do tempo, e esse tempo parece ter chegado.

Por João Pedro Zettermann
Jornalismo Ambiental / Noite

São Paulo, uma das maiores e mais influentes cidades do Brasil, já sofre de maneira muito forte com o problema e, pelo visto, Porto Alegre não está muito longe de sofrer com isso também.

Em entrevista concedida aos alunos de jornalismo ambiental da UniRitter em abril, o presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes-RS), Darci Barnech Campani, afirmou que os dados divulgados nos últimos anos não deixam dúvida: a crise hídrica chegou também à Região Sul.

“A crise hídrica é a grande pauta do ano no Brasil e no Rio Grande do Sul. Não tenho dúvida de que ela não está chegando no estado. Ela já chegou”, garante Campani.

A avaliação não é unânime. Na opinião do engenheiro do Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE), Renato Machado de Brito, e do arquiteto do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), Ivanor Quadros, as chances de uma crise hídrica no Rio Grande do Sul não são tão grandes assim.

– Ninguém pode prever com precisão os períodos de estiagem, nem a sua duração. O certo é que a nossa rede hídrica de rios e lagos é bastante grande e bem distribuída. No entanto, existem alguns locais no estado que sofrem com a falta de água em alguns períodos do ano, mesmo com estiagens bem menos severas. Isto mostra que ainda há muito por fazer – destacou Brito, do DMAE.

– As possibilidades de acontecer no Rio Grande do Sul são remotas, visto que temos no estado quatro estações bastante definidas – afimou Quadros, do DEP.

Mas será que o Rio Grande do Sul estaria preparado para lidar com este fenômeno? Na opinião de Renato Machado de Brito, do DMAE, a resposta é sim. Já Ivanor Quadros, do DEP, tem uma opinião um pouco mais conservadora sobre o assunto. Na sua visão, existem medidas a serem tomadas, mas que exigiriam um trabalho forte das autoridades.

– Preparado é muito relativo, mas se acontecer no Rio Grande do Sul, poderíamos usar o aquífero guarani, mas para tal perfuração teríamos uma luta com os geólogos, que classificam o lugar como uma “poupança”. O DMAE tinha uma reserva na Lomba do Sabão no Parque Saint Hilaire e que hoje está totalmente poluída, mas poderia tratar esta água e distribuí-la, embora ela tenha um alto índice de manganês – destaca Ivanor.

Soluções locais

– Em muitas cidades do estado, felizmente, a solução de fornecimento de água potável está baseada em poços artesianos e não no armazenamento em grandes reservatórios. E assim deveria ser. Soluções locais sempre são melhores do que mega projetos que demandam investimentos altíssimos e geram dependência de um único fornecedor.

Logo, mesmo que seja quase “sem querer”, a solução já existe pela capacidade das nossas comunidades em perceber que o fornecimento de água precisava ser resolvido, usando da sua capacidade de organização, mesmo que os governos estaduais e federal nada fizessem – opinou Brito.

O fato é que o tema começa a ganhar força no Rio Grande do Sul. A Fundação de Economia e Estatística (FEE) chegou a divulgar que o estado já sofre fortemente com o problema. É bom os gaúchos se acostumarem com o problema, pois parece que é uma crise que está chegando para ficar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *