Descobrindo Amsterdã

Amsterdã é a cidade das bicicletas - Crédito: Guilherme Gottardi
Amsterdã é a cidade das bicicletas – Crédito: Guilherme Gottardi
 Após alguns anos contando moedas, aproveitei uma daquelas ‘promoções relâmpago’ para fazer minha primeira viagem ao exterior. O menino do interior criado pela avó materna não escondia a felicidade em conhecer um novo país, mesmo sendo por poucos dias. O destino escolhido foi Amsterdã, também conhecida como a melhor cidade do mundo para andar de bicicletas.

Por Guilherme Gottardi
Jornalismo Ambiental / Noite

Quando penso em bicicleta, logo tenho pesadelos, pois caí de uma quando criança e arranjei uma cicatriz horrenda na minha testa; mas também lembro de qualidade de vida, mobilidade urbana, economia e todos os bens que uma bike pode nos trazer. É nítida a melhora do trânsito em cidades que investem na inserção de ciclovias para melhorar as condições de mobilidade.

Pois bem, cheguei a Amsterdã. Me instalei rapidamente em um hostel e na companhia de um amigo resolvi passear para conhecer a capital dos Países Baixos.

Ao caminhar pelas ruas me impressionei com a infraestrutura cicloviária e o respeito que é dado aos ciclistas (maioria no trânsito local), e aos motoristas de ciclomotores. Segundo dados da União dos Ciclistas de Amsterdã, 90% da população, cerca de 700 mil habitantes, utilizam bicicletas como meio de locomoção pra transporte ou lazer.

Às vezes, falta lugar para estacionar as magrelas (o assunto foi inclusive tema de uma reportagem no New York Times em 2013, traduzida pelo jornal O Globo). Aqui em Porto Alegre é possível avistar alguns adeptos desse meio de transporte, mas não em grande escala, como vi na Holanda.

Pensativo, comecei a sonhar como seria Porto Alegre se houvesse o mesmo respeito aos ciclistas. E… Não consegui imaginar. Será que não pensamos em um ambiente urbano mais habitável? A nossa cultura e o conceito de transporte são muito diferentes da holandesa. Estamos alguns anos atrás, essa é a verdade. Não investimos como deveríamos em mobilidade urbana. O jeito é parar de pensar e continuar o passeio por Amsterdã…

Sem saber andar de bicicleta (acreditem!), fui um dos poucos turistas que não aproveitou a facilidade para alugar uma e passear. Andei bastante a pé para conhecer alguns lugares próximos ao centro. Fiquei impressionado ao observar a arquitetura, um misto de classe e contemporaneidade desenvolvida sobre casas e prédios, muitos deles tortos, construídos em volta de canais (todos limpos e bem cuidados), espalhados por toda a cidade. Aliás, os canais são sem dúvidas os principais pontos turísticos da cidade. Muitos turistas aproveitam para passearem de barco, um passeio romântico, diga-se de passagem.

Canais cortam a cidade de Amsterdã, chamada de a Veneza do Norte – Crédito: Guilherme Gottardi
Canais cortam a cidade de Amsterdã, chamada de a Veneza do Norte – Crédito: Guilherme Gottardi

Após estar ambientado, e cansado de caminhar, resolvi ‘abrir a mão’ e utilizar o transporte público local, muito reclamado por holandeses (acho que é porque eles preferem as bikes, só pode!). Isso me deixou curioso, pois frequento assiduamente as linhas de ônibus de Porto Alegre. Então, decidi passar por essa agradável experiência.

Desloquei-me pra uma estação e peguei o Tram, um bonde que passa sobre trilhos, entre as estradas. Para ingressar no Tram, pode-se comprar direto com o cobrador um cartão com chip que pode ser utilizado por até sete dias. Claro que não é muito barato, mas funciona.

O transporte me ajudou muito. Para ganhar tempo e conhecer diversos lugares, como museus, entre eles o Museu Van Gogh, a antiga casa em que morou Anne Frank e a fábrica de cervejas da Heineken. Achei bem organizado e, por muitas vezes, pensei como seria um holandês dentro da linha 263 Orfanotrófio, aquela utilizada para ir diariamente à faculdade.

Nos dias seguintes utilizei o ‘planejamento pessoal’, alguns mapas e o meu cartão do Tram para conhecer mais sobre a cultura, outros museus, um passeio pelo canal e uma ida ao Amsterdam Arena, estádio do Ájax, para assistir uma partida de futebol válida pelo Campeonato Holandês.

Guilherme Gottardi, estudante de jornalismo ambiental da UniRitter, no Amsterdam Arena – Crédito: Arquivo pessoal
Guilherme Gottardi, estudante de jornalismo ambiental da UniRitter, no Amsterdam Arena – Crédito: Arquivo pessoal

Amsterdã é um lugar incrível e muito atrativo pra quem aprecia arte, cultura, e quer se surpreender com a evolução sociável que há por lá, um respeito mútuo dos moradores com turistas. Como estive lá entre a metade de fevereiro e o início de março, não pude ver as tão lembradas Tulipas, flor reconhecida mundialmente e que floresce nos campos, entre o meio do mês de março e o meio do mês de maio, durante a primavera.

Minha trip completou-se com passagens pelas cidades holandesas de Roterdã e Utrecht, e a capital belga, Bruxelas. Nesses lugares me aventurei por passeios em navios, zoológicos, museus, parques, além de conhecer a culinária local, e os tão famosos chocolates belgas.

O dinheiro acabou e eu voltei para a vida real. Agora, a meta é voltar a juntar moedas. O próximo destino é desconhecido, mas possuo um desafio pessoal, andar de bicicleta.

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