A vibe orgânica em Porto Alegre

Bastidor da feira de alimentos orgânicos no bairro Menino Deus em Porto Alegre (RS) – Crédito: Mariana Catalane
Bastidor da feira de alimentos orgânicos no bairro Menino Deus em Porto Alegre (RS) – Crédito: Mariana Catalane
Agricultores, comerciantes e cidadãos que optam por orgânicos ainda são minoria, mas dizem não, em alto e bom som, ao uso e consumo de agrotóxicos.

Por Mariana Catalane
Jornalismo Ambiental / Manhã

No Brasil há mais de 200 milhões de pessoas e além de estar em segundo lugar no ranking de maior produção de alimentos do mundo, já faz um tempo que o país é o maior consumidor de agrotóxicos.

Desde a década de 1950 a maneira tradicional de produção agrícola vem mudando. Novas tecnologias alteraram os solos e os alimentos. Os advogados do agronegócio falam em defesa da agricultura contra as pragas que atacam as plantações e aumento de validade dos produtos.

A verdade é que o solo de muitos agricultores brasileiros e a produção de verduras, frutas e legumes recebem uma série de venenos. Entretanto, existem pessoas e movimentos que não usam e nem consomem agrotóxicos.

Para explicar as vantagens da alimentação orgânica, querido (a) leitor (a), entrevistamos produtores e consumidores em uma das mais tradicionais feiras ecológicas de Porto Alegre.

Para atender à crescente demanda de produtores ecologistas na cidade, foram criadas cinco feiras ecológicas. Nelas vende-se produtos hortigranjeiros e agro industrializados, ou seja, sem agrotóxicos, pesticidas e substâncias sintéticas.

A feira do bairro Menino Deus ocorre duas vezes por semana, quartas-feiras e sábados. É conhecida como Feira da Biodiversidade (FCB) e acontece no estacionamento da Secretaria Estadual da Agricultura.

O agricultor Darci Sibulski trabalha com os orgânicos e chega a vender 70 ou 80 caixas de hortaliças por dia de feira, há mais de 10 anos. “Toda a produção orgânica depende da sazonalidade, tem determinados produtos que dão em determinadas épocas. Quando não é orgânico, o agricultor pode produzir, por exemplo, um tomate fora de época. O alimento orgânico não tem isso. Só dá na época certa. Não usa nenhum outro componente químico pra aumentar a produção”, explica Sibulski.

Gustavo Henriques e Renata Martins – Crédito: Mariana Catalane
Gustavo Henriques e Renata Martins – Crédito: Mariana Catalane

O consumo durante a feira é comum. As pessoas provam os alimentos, tomam sucos e caldos de cana, comem frutas, quibes, rapaduras. O casal de estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Gustavo Henriques e Renata Martins está no início da experiência de consumir alimentos mais saudáveis, influenciados pela mãe dele, agora tomam com frequência o suco de laranja (foto).

“Eu particularmente estou sempre procurando alimentos orgânicos, saladas e tudo mais. Mas o problema é como é que eu vou saber que não tem agrotóxico? Eu prefiro vir aqui na feira porque 100% dos produtos dos caras não têm agrotóxicos, eles se preocupam mais com a saúde dos consumidores do que um supermercado da vida”, ressalta Henriques.

O dia a dia da feira é preenchido por várias atividades. A função inicia com a limpeza do local para receber bem os comerciantes e os alimentos, até começar a venda e a circulação de clientes que preenche o resto das manhãs.

Belmonte Schunk e Anselmo Kanaan Costa – Crédito: Mariana Catalane
Belmonte Schunk e Anselmo Kanaan Costa – Crédito: Mariana Catalane

Belmonte Schunk, um dos pioneiros da agricultura ecológica, nunca usou agrotóxicos. Diz que mesmo de longe sente-se mal ao passar em lavoura com venenos ou de fumo. Está a mais de 21 anos atendendo às feiras, portanto possui uma diversidade de verduras, legumes, frutas, ovos, mel, queijos, chás e raízes. Seus alimentos recebem a certificação da Rede Ecovida.

O organizador da feirinha do Menino Deus, Anselmo Kanaan, além de se esforçar para oferecer o melhor para os comerciantes, trabalha a educação ambiental com crianças. “Nos dias de feira, vivo dias bonitos. É dia de sorriso, é dia de abraço e dia de muita criança. Tenho uma esperança imensa com as crianças, elas me convidam para fazer horta com elas em casa e eu as visito nos domingos. Elas me convidam para dormir e perguntam ‘tu trouxe teu pijama e tua escova de dentes?’.”

Karu, um brasileirinho filho de um chileno e uma brasileira, já frequenta a feira de alimentos orgânicos do Menino Deus - Crédito: Mariana Catalane
Karu, um brasileirinho filho de um chileno e uma brasileira, já frequenta a feira de alimentos orgânicos do Menino Deus – Crédito: Mariana Catalane

E para fechar com chave de ouro, conhecemos o Karu, e ele nos contou que o nome dele significa verde, que ele não gosta de carne nem de açúcar, só se for mascavo. Olhando o Karu reconhecemos que a geração dele nasceu em um contexto mais consciente do que as anteriores, o que nos leva a visualizar um futuro próximo onde os consumidores de orgânicos não sejam minoria.

Dica para os calouros na vibe orgânica

A modelo gaúcha Cássia Lemos descobriu há pouco tempo que é celíaca, portanto reeducou o paladar. “Eu tive que mudar meus hábitos alimentares e buscar alimentos mais saudáveis. Frequento as feiras orgânicas todas as quartas-feiras e hoje priorizo alimentos mais naturais, por que produtos com agrotóxicos acabam interferindo mais na minha mucosa intestitinal e prejudicando minha saúde”, destaca Cássia, um exemplo de pessoa que depois de adulta, teve que se adaptar com exigências de sua própria saúde.

Uma das profissionais gaúchas especializada em serviços para estilo de vida é frequentadora fiel das feiras orgânicas. Paola Gringa alerta o consumidor a procurar a certificação dos orgânicos. “Eu acompanhei a expansão das feirinhas aqui em Porto Alegre. Frequento a do Bom Fim, que é maior e tem mais produtores trabalhando com o selo que certifica a qualidade dos alimentos. Normalmente, quem vende orgânicos coloca um selo – bem grande – na barraquinha. Porque é difícil ser reconhecido e quem é valoriza-se muito. Por exemplo, a primeira quadra, mais perto da Osvaldo Aranha, é 100% certificada. Depois dessa quadra, nem todos os produtos das bancas são orgânicos. É importante ver o selo ou perguntar se ele existe”, declara Paola.

Além de ser Chef de cozinha especiazada em ações de desperdício zero de alimentos, Paola trabalha com implantação de Hortas Urbanas em Porto Alegre. “Esse modelo de mudança de vida é uma forma de se conhecer melhor a vizinhança, revitalizar o uso do espaço urbano e mudar a maneira de produzir comida”, defende a Chef.

Confira as Feiras Ecológicas realizadas em Porto Alegre

Quarta-feira

MENINO DEUS – das 13 às 19h
Av. Getúlio Vargas (no pátio da Secretaria Estadual da Agricultura)

PETRÓPOLIS – das 13 às 18h
Rua General Tibúrcio, parte lateral da praça Ruy Teixeira.

Sábado

TRISTEZA – das 7 às 12h30
Av. Otto Niemeyer esquina com a Av. Wenceslau Escobar

BOM FIM – das 7h às 12h30
Av. José Bonifácio, 675

MENINO DEUS – 7:00 às 12:30
Av. Getúlio Vargas (no pátio da Secretaria Estadual da Agricultura)

TRÊS FIGUEIRAS – das 8h às 13h
Rua Cel. Armando Assis, ao lado da praça Desembargador La Hire Guerra

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