O transporte solitário piora a qualidade de vida em Porto Alegre

Congestionamento na avenida João Pessoa em Porto Alegre – Crédito: Adrienne Cardoso
Congestionamento na avenida João Pessoa em Porto Alegre – Crédito: Adrienne Cardoso

A facilidade de aquisição de carros e a má qualidade dos transportes coletivos aumentam o transporte individual na capital gaúcha.

Por Adrienne Cardoso
Jornalismo Ambiental / Manhã

“A informação existe, mas a conscientização não. Percebemos uma minoria que apresenta interesse sobre questões ambientais. Estas questões fazem parte da educação que não acontece no trânsito. O desinteresse com o meio ambiente acontece em todos os contextos e não só no trânsito”, diz Fernanda Cássia Landim, psicóloga pela Universidade de Santa Cruz do Sul e especialista em Avaliação Psicológica e Psicóloga Perita Examinadora de Trânsito.

Não é ensinado nas escolas e nem divulgado em grandes meios de comunicação em massa a quantidade de gases de efeitos estufa que são jogados na atmosfera pelo escapamento dos carros, nem a informação da quantidade de combustível queimado.

“O desinteresse é amplo, somado com os motoristas que por diversas circunstâncias dirigem sozinhos. A sociedade como um todo agride o meio ambiente com construções, empresas, desmatamento, o lixo jogado no chão, ou seja, todos nós, se não exercermos a educação de maneira adequada, nos tornamos agressores com o meio em que vivemos”, ressalta Fernanda Landim.

Na Freeway, uma das rodovias mais importantes do Rio Grande do Sul, em uma segunda feira por volta das 7 horas da manhã o comum são carros com apenas o motorista. O transporte solitário é o padrão. Em Porto Alegre não é diferente nos engarrafamentos. A falta de informação é geral. De 10 pessoas perguntadas, apenas uma sabia a quantidade de emissão de poluição do seu veículo.

O egoísmo na direção não pode ser visto de maneira isolada, pois há vários motivos que explicam as pessoas dirigirem sozinhas, como o segundo emprego, a necessidade de locomoção mais rápida, a facilidade de saída, grandes bagagens e a péssima qualidade dos transportes coletivos. Dirigir não é mais apenas luxo. É uma necessidade.

A facilidade do automóvel aumentou durante os últimos anos, mas a estrutura das ruas e avenidas de Porto Alegre não melhorou com a mesma velocidade, ainda há buracos que estragam carros e causam congestionamentos, falta de sinaleiras em locais específicos e o amontoamento na mesma faixa, a sinalização parca. E, principalmente, a falta de transporte coletivo de qualidade, o que obriga o transporte individual.

A “grande” ciclovia da avenida Ipiranga – Crédito: Adrienne Cardoso.
A “grande” ciclovia da avenida Ipiranga – Crédito: Adrienne Cardoso.

Mas, a grande causa do mau funcionamento do trânsito é o fator educacional que falta aos motoristas e também aos pedestres já que o trânsito é composto por estes atores. “Este é o fator de maior dificuldade nas questões referentes ao trânsito, pois o desrespeito à legislação acarreta várias consequências incluindo reações psicológicas negativas nas pessoas. O estresse, o transtorno de estresse pós-traumático decorrente de algum acidente de trânsito, pânico, fobias entre outros podem ser considerados alguns exemplos”, diz a psicológica Fernanda Landim.

Quando se tem mais vias disponíveis, maior o tráfego e menor economia de tempo, pois aumentam as pessoas dispostas a morarem longe de seus trabalhos, mesmo que dirijam o dobro. Isto se chama tráfego induzido, o dirigir se torna menos penoso, entretanto também se dirige mais, segundo estudo disponível no site Mobicidade.

Na capital há mais de 1,4 milhão de habitantes, 740 mil carros (dados do Detran de 2012) e apenas 1.550 ônibus em 2015 (dado da EPTC), e a ínfima quantidade de ciclovias que é considerada um transporte alternativo nem foi contada. Ou seja, o transporte coletivo, aquele que diminuiria os carros nas ruas e aliviaria os engarrafamentos, ainda não é prioridade.

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