Casas sustentáveis em Porto Alegre

Com pouco investimento, claraboias integram o design com o meio ambiente permitindo a entrada de mais luz, o que acaba reduzindo a conta de energia elétrica - Crédito: Renan Castro
Com pouco investimento, claraboias integram o design com o meio ambiente permitindo a entrada de mais luz, o que acaba reduzindo a conta de energia elétrica – Crédito: Renan Castro
Como alguns gaúchos transformaram suas residências para reduzir os danos ao meio ambiente.

Por Renan Castro
Jornalismo Ambiental / Manhã

Já imaginou uma refeição com alimentos provindos de plantações do próprio pátio? Dar finalidade para a água da chuva e usá-la em seu lar? E reduzir a conta de luz com pequenas reformas em casa? Diversos porto-alegrenses saíram da zona de conforto e aplicaram suas ideias em projetos que já estão fazendo diferença nas despesas do fim do mês e, em longo prazo, vão reduzir os danos ao meio ambiente. São pequenas medidas, mas que estão mudando a vida daqueles que estão envolvidos nesta causa.

A empresária Lúcia Castro, de 48 anos, não precisou gastar muito dinheiro para se tornar mais sustentável. Ela decidiu transformar boa parte de seu lixo orgânico em adubo e usá-lo para plantar verduras e frutas em seu pátio.

Embora tenha levado um período para ela se adaptar com essa rotina de selecionar o material orgânico que será depositado na terra, para depois plantar e por fim colher, ela conta que o resultado obtido foi plenamente satisfatório. “Hoje os meus gastos com verduras, legumes e frutas são quase zero”, calcula Lúcia.

Lúcia Castro mostra resíduos que podem ser aproveitados para virar adubo - Crédito: Renan Castro
Lúcia Castro mostra resíduos que podem ser aproveitados para virar adubo – Crédito: Renan Castro

É um ciclo: as cascas desses alimentos viram lixo, que depois são enterrados para fertilizar a terra onde serão plantados novos alimentos, dias depois são colhidos, comidos e geram novas cascas e restos que viram adubo.

E não para por aí: cada vez mais ela tem direcionado seus esforços para tornar a sua casa sustentável sem investir muito. O próximo passo foi descobrir como irrigar toda essa horta em época de seca sem usar a água da torneira.

Foi então que ela decidiu armazenar uma boa quantidade de água que cai da chuva e armazenar em bombonas cujo volume é de 120 litros, tornando-se suficiente para irrigar a horta durante vários dias sem chuva para as plantas.

O sistema é simples: a água escorre pelas calhas instaladas no teto de sua casa através de um cano até chegar nesta bombona. Depois é só irrigar as plantas. Investimento? Apenas com a calha e com a bombona.

“É tudo muito simples, mas é um processo demorado. Talvez, por isso, associado à vida corrida da cidade, que as pessoas prefiram pagar mais e ter o produto ali na hora e sem esforço”, diz a empresária.

A casa do futuro agora

Há também aqueles que preferem investir um pouco mais na sua residência para transformá-la em ecológica. Para o arquiteto Rubens Mondini, de 62 anos, ter uma casa verde é ter uma “casa do futuro”, já que fazer uma obra que se integre ao meio ambiente ao invés de sobrepô-lo é pensar no amanhã.

“Eu imagino um futuro no qual as pessoas sejam mais conscientes e dispostas a fazer investimentos com o objetivo de diminuir os danos à natureza, ao mesmo tempo que despesas com a água e luz deverão diminuir”, diz Rubens.

O investimento dele foi maior, sem dúvidas, mas o arquiteto espera o retorno do valor gasto em oito anos. A primeira medida visando essa integração com o meio ambiente foi em 2006, quando ele também decidiu armazenar a água da chuva.

Foram anos de planejamento para essa primeira reforma. O objetivo era expandir a cozinha e usar uma área ao lado que estava ao céu aberto e integrá-la; tudo fechado com telhas transparentes – ganhando mais luz – com caimento para um cano que recolhe a água da chuva levando-a para uma série de filtros para eliminar as sujeiras maiores até chegar em uma cisterna. Lá ocorre a etapa de desinfecção por cloro.

A água da chuva escorre pelas telhas e é levada através de canos até chegar em uma caixa d’água subterrânea - Crédito: Renan Castro
A água da chuva escorre pelas telhas e é levada através de canos até chegar em uma caixa d’água subterrânea – Crédito: Renan Castro

Apesar de todo esse processo, a água não é potável, pois quando ela cai do céu arrasta diversas partículas altamente tóxicas que estão no ar, como o benzeno, que é cancerígeno. Por isso que diversas pessoas que armazenam a água da chuva só a utilizam para fins relacionados à limpeza e irrigação das plantas.

Tendo este conhecimento em mente, Rubens criou um sistema hidráulico no qual uma quantidade desta água armazenada vai para o vaso sanitário de um dos banheiros da casa. Dependendo da casa o volume da água utilizada para a descarga pode chegar a até dez litros. Com este número em mente, imagine o quanto você gasta de água com cada descarga por dia.

Empresas têm se esforçado para criar vasos sanitários econômicos cujo volume pode ser alterado entre cinco a oito litros. Uma preocupação, aliás, que Rubens Mondini não tem mais. “A gente não gasta mais água com descarga. Tudo vem da chuva”, ressalta.

A próxima etapa planejada pelo arquiteto foi reduzir a conta de luz. Aqui ele precisou investir bem mais: cerca de R$20 mil para instalar placas solares na sua residência. Apesar disso, ele reduziu a sua conta de energia em 90%. Desconto que em sete anos deve cobrir o que ele gastou neste equipamento.

O sistema funciona da seguinte maneira: os painéis solares são instalados no teto de casa e absorvem a luz solar produzindo energia fotovoltaica. Um inversor solar converte a energia dos painéis fotovoltaicos em energia elétrica e a leva para o quadro de luz sendo distribuída para toda casa.

Tudo que ele produzir a mais do que consome é entregue para a concessionária ganhando “créditos de energia solar” para serem utilizados à noite ou nos próximos meses. “Foi um grande investimento. Mas é o preço que se paga para ter uma casa sustentável”, diz Rubens.

Ecológica ou sustentável?

Arquitetura ecológica, verde ou sustentável? Afinal, qual é a diferença? No decorrer da reportagem nos deparamos com entrevistados citando diferentes termos para designar que suas casas estão alinhadas à natureza.

Para não haver dúvidas, o estudante de biologia Maurício Rodrigues, de 27 anos, contou que existem pequenas diferenças entre eles, mas importantes. Ele diz que a arquitetura ecológica visa causar o menor impacto possível ao meio ambiente usando materiais que não sejam nocivos, como a palha, barro, bambu, tinta ecológica e etc.

Já a arquitetura sustentável é aquela que reduz o impacto ao meio ambiente, mas, ao mesmo tempo, deve estar preocupada com o desenvolvimento social e cultural e ser viável economicamente; está mais próxima do conceito de autossuficiência. Já a “verde” é o conceito que está entre as duas, cuja preocupação é de reduzir os impactos ambientais, mas também cuidar da saúde humana.

O estudante de biologia é outro que mora em uma casa sustentável, no entanto está em um estágio inicial. “Meus pais pensaram nesta casa para não precisar acender a lâmpada durante o dia”, diz Maurício. Ele se refere às diversas claraboias instaladas em sua casa: aberturas no teto fechadas por vidro para permitir a entrada de luz do dia.

Além disso, ele foi outro que decidiu aproveitar a água da chuva. Contudo, a forma de captação e armazenagem é bem mais simples: ele deixa alguns baldes em sua sacada. Depois, deposita em galões para posteriormente usar para limpar o pátio e irrigar as plantas. “É tudo simples, mas já reduziu bastante a conta da água só nessa brincadeira”, revela o estudante.

De qualquer forma, com alto ou com pouco investimento diversos gaúchos estão interessados em colaborar com o meio ambiente. Embora os resultados não sejam imediatos, são iniciativas como essas que mostram que existem outros caminhos para economizar e ainda cuidar da natureza.

Uma ideia sobre “Casas sustentáveis em Porto Alegre”

  1. Os recursos naturais pra produção de energia irão terminar!
    Temos que ter a consciência da sustentabilidade, a energia solar considero uma ótima opção de recurso sustentável.

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