Uma vida sem agrotóxicos é possível

Em um mundo no qual a alimentação saudável e totalmente longe de produtos químicos se torna realidade, por que não optar por essa alternativa?

Produtos sem agrotóxicos vendidos na Feira dos Agricultores Ecologistas realizada em Porto Alegre (RS) todos os sábados pela manhã na José Bonifácio, mesma rua do Brique da Redenção – Crédito: Mariana Tripoli
Produtos sem agrotóxicos vendidos na Feira dos Agricultores Ecologistas realizada em Porto Alegre (RS) todos os sábados pela manhã na José Bonifácio, mesma rua do Brique da Redenção – Crédito: Mariana Tripoli

Por Mariana Tripoli
Jornalismo Ambiental / Manhã

Mesmo com todas as tecnologias e o acesso às informações que nos rodeiam, muitos ainda não sabem a quantidade de elementos químicos que podem estar presentes durante as nossas refeições. Agrotóxicos são usados de maneira abusiva nas grandes lavouras para evitar parasitas e doenças.

O Brasil está no cenário mundial como o maior consumidor de agrotóxicos, seguido pelos Estados Unidos, de acordo com o estudo Regulation of Pesticides: A Comparative Analysis, publicado em 2013 pela Universidade de Oxford.

Os problemas com os agrotóxicos no Brasil são devido à alta produtividade do setor de agronegócio. Essa ameaça é reconhecida por nutricionistas que estudam esses alimentos e os consumidores que sofrem com o uso abusivo desses compostos químicos nas lavouras.

Segundo relatórios divulgados em 2012 pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os produtos mais contaminados são: abobrinha, feijão, fubá de milho, alface e tomate. A conclusão é que mais de 25% dos produtos que o brasileiro consome contêm resíduos acima do nível próprio para o consumo.

Os consumidores são as principais vitimas dessas substâncias que sofrem com problemas de saúde dos mais simples aos mais complexos. “Os principais sintomas da contaminação por esses compostos são dores de cabeça e alergias, mas pelo contato direto como o que ocorre com os agricultores a longo prazo podem surgir problemas como alteração no sistema respiratório, pulmonar e até câncer”, alerta a coordenadora do curso de Nutrição da UniRitter, Jacqueline Schaurich.

Os alimentos orgânicos são a principal saída para as pessoas que querem ter uma vida mais saudável e para que os agricultores tenham uma descontaminação do solo para futuras plantações. “Hoje para as pessoas que buscam uma alimentação mais natural nós temos no mercado os alimentos orgânicos, que são produtos que beneficiam não só quem consome, mas também quem produz, em razão desses alimentos não possuírem nenhum tipo de elemento químico”, informa Schaurich.

Alimentos orgânicos pela capital

As feiras de produtos orgânicos da capital gaúcha ocorrem as quartas e sábados pela manhã – Crédito: Mariana Tripoli
As feiras de produtos orgânicos da capital gaúcha ocorrem as quartas e sábados pela manhã – Crédito: Mariana Tripoli

O crescimento do interesse pelos produtos orgânicos aumentou o número de Feiras dos Agricultores Ecológicos na capital. Segundo a Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), Porto alegre hoje conta com cinco feiras ecológicas autorizadas em cinco bairros.

As feiras acontecem nos bairros Menino Deus, Três Figueiras, Tristeza, Petrópolis e Bom Fim. A principal e mais antiga é a do Bom Fim, localizada na Rua José Bonifácio, no entorno do Parque da Redenção. Ela é realizada todos os sábados pela manhã desde 1989. Atualmente são mais de 300 famílias distribuídas em cerca de 150 bancas que fazem das feiras seu negócio.

De acordo com o técnico agrícola e produtor Pio Bernardi Prado, o diferencial dos produtos sem agrotóxicos das feiras ecológicas é que eles são mais nutritivos por serem mais equilibrados. Por isso armazenam mais nutrientes do que os produtos convencionais plantados em grandes lavouras.

Pio Prado ainda conta que começou a trabalhar com os orgânicos quando, depois de formado, esteve um ano em uma plantação convencional. Seus pais, quando comiam os produtos com agrotóxicos, tinham alergias e dores de cabeça. O técnico agrícola é produtor há mais de 25 anos.

O agricultor Vasco Machado também percebe que a busca por alimentos saudáveis vêm crescendo entre os jovens, o que antes era moda, agora virou qualidade de vida. “Passou a época da experimentação para as pessoas, agora eles vêm porque eles gostam e é uma opção ter uma vida mais saudável”, garante o produtor.

Feiras ecológicas de Porto Alegre

Quarta – feira:
MENINO DEUS – das 13 às 19h
Av. Getúlio Vargas (no pátio da Secretaria Estadual da Agricultura)
PETRÓPOLIS – das 13 às 18h
Rua General Tibúrcio, parte lateral da praça Ruy Teixeira.

Sábado:
TRISTEZA – das 7 às 12h30
Av. Otto Niemeyer esquina com a Av. Wenceslau Escobar
BOM FIM – das 7h às 12h30
Av. José Bonifácio, 675
MENINO DEUS – 7:00 às 12:30
Av. Getúlio Vargas (no pátio da Secretaria Estadual da Agricultura)
TRÊS FIGUEIRAS – das 8h às 13h
Rua Cel. Armando Assis, ao lado da praça Desembargador La Hire Guerra

Ensaio fotográfico

Confira aqui a Feira dos Agricultores Ecologistas do Bom Fim, segundo a fotógrafa Mariana Tripoli.

Para saber mais

Os documentários de Silvio Tendler O veneno está na mesa I e O veneno está na mesa II alertam sobre os riscos à saúde dos alimentos produzidos com agrotóxicos.

 

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