Francisco Aquino: RS precisa investir em logística para enfrentar mudança do clima

Falta logística no Rio Grande do Sul para enfrentar fenômenos climáticos intensos - Crédito: INPE
Falta logística no Rio Grande do Sul para enfrentar fenômenos climáticos intensos – Crédito: INPE
O tornado que atingiu o município de Xanxerê, na região oeste de Santa Catarina, no dia 20 de abril, deixou um rastro de dúvidas: estamos preparados para enfrentar fenômenos climáticos cada vez mais intensos?

Por Priscila Valério
Jornalismo Ambiental / Noite

O que vai acontecer no Rio Grande do Sul com a mudança do clima? A tendência é mais calor e chuva. O volume de precipitações já aumentou 8% em relação aos padrões históricos de 1945 até 1974, informa o chefe do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Francisco Aquino, em entrevista ao blog de Jornalismo Ambiental da UniRitter.

Com algumas imagens de oscilações climáticas de diversas regiões da América do Sul, Francisco Aquino mostra mapas com intensa nebulosidade em uma sequência de anos. Para explicar a ilustração, ele ressalta que nas últimas décadas choveu mais do que chovia nos séculos anteriores. “O aumento na precipitação e na temperatura média motiva a ocorrência de tempestades mais rigorosas em períodos mais quentes”.

Francisco Aquino - Crédito: Arquivo Pessoal
Francisco Aquino – Crédito: Arquivo Pessoal

Esse contraste alimenta a nebulosidade em estações de transição. Os períodos de seca e umidade estão cada vez mais intercalados, isso significa que a precipitação ocorre de forma tempestuosa, formando um jardim de tornados no Estado, complementa Aquino, pesquisador de meteorologia e climatologia polar e subtropical, monitoramento de massas de gelo e mudanças climáticas.

O Rio Grande do Sul não está preparado para estes fenômenos climáticos intensos. “O que eu posso afirmar é que o Estado vai ter que investir em uma logística de socorro em conjunto com outras regiões do Brasil devido as constantes irregularidades climáticas”, alerta Francisco Aquino. Em seu currículo estão mais de 14 expedições cientificas ao continente antártico para pesquisar as mudanças no clima.

Força e poder de destruição

Furacões, tempestades e inundações matam milhares de pessoas a cada ano e comprometem o abastecimento de água e alimentos. Situações como as secas provocam fome e destruição. Chuvas fortes podem desencadear epidemias de doenças. Porém, a atmosfera é o elemento que se contamina mais rápido, mas também se recupera na mesma proporção de forma favorável.

Os tornados são formados quando uma frente fria encontra uma massa de ar quente. O choque forma nuvens gigantes. Ventos fortes podem fazer com que a corrente de ar quente desça em movimento circular. Esse movimento atrai o ar quente para as nuvens, fazendo o ar girar mais rápido. Eles são medidos em um escala de zero a cinco, de acordo com a força e com o poder de destruição.

“Caso a sociedade queira evitar o assunto e suas consequências, isso será um grande equívoco. Pois, já está no quintal de todo mundo. É um fenômeno global. Não tem como escapar”, alerta o chefe do Departamento de Geografia da UFRGS. Na opinião de Francisco Aquino, o combate ao desmatamento deveria ser a principal contribuição do Brasil. Estima-se que 20% da floresta amazônica já estejam devastados.

Impactos da mudança do clima

Com o aquecimento da Terra que vem sendo registrado nas últimas décadas, há uma maior incidência de doenças infecciosas. A chuva excessiva facilita a aproximação de esgotos a céu aberto dos reservatórios de água potável, aumentando a probabilidade de doenças transmitidas pela água.

O aquecimento do planeta influencia também no nível do mar. “A previsão é que eleve entre 60 centímetros e um metro nos próximos 100 anos. Isso é preocupante. O nível do mar nunca subiu a taxas tão elevadas em períodos tão curtos”, constata o professor e pesquisador Francisco Aquino.

Conferência de Paris

A expectativa é que os governos dos países mais poluidores do mundo negociem um plano contra mudança do clima no final do ano. A 21ª Sessão da Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima acontece entre 30 de novembro e 11 de dezembro de 2015 na cidade de Paris. Reunião preparatória será realiza entre 1º e 11 de junho em Bonn, na Alemanha. Mais informações no site oficial da Convenção.

 

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