Lixo, resíduo, rejeito… E agora, o que fazer?

Durante a primeira edição da Virada Sustentável em Porto Alegre, rodas de conversa foram realizadas nos principais parques da capital gaúcha - Crédito: Karem Rodrigues
Durante a primeira edição da Virada Sustentável em Porto Alegre, rodas de conversa foram realizadas nos principais parques da capital gaúcha – Crédito: Karem Rodrigues
Garantir que o que estamos fazendo agora não comprometa as gerações futuras foi um dos temas abordados na primeira edição da Virada Sustentável em Porto Alegre. Durante o evento inédito, realizado nos primeiros dias de abril, a reportagem do blog de Jornalismo Ambiental da UniRitter foi até dois importantes parques da capital gaúcha conversar com as pessoas que visitaram os Ecopontos ali instalados. Confira o resultado na reportagem a seguir.

Por Karem Rodrigues
Jornalismo Ambiental / Noite

Se não atuarmos agora estaremos deixando para as gerações futuras um planeta em condições piores do que as que recebemos. As transformações são visíveis tão quanto suas consequências. Nas palavras de Cristine Huff, estudante de engenharia ambiental e voluntaria do Greenpeace, “as escolas não estão adaptadas para os tempos de hoje, a educação ambiental é mais do que essencial”. E revela um desejo: “Queria que as pessoas andassem mais a pé, se preocupassem menos com toda essa tecnologia e conseguissem viver com pouco”.

O lixo nosso de cada dia

Em uma sociedade cada vez mais consumista, com indústrias que não conseguem adaptar sua cadeia de produção a práticas sustentáveis, falar sobre o futuro do planeta nos dias de hoje e deixar o pessimismo de lado parece ser uma tarefa difícil. A reportagem do blog de Jornalismo Ambiental da UniRitter acompanhou duas rodas de conversas, realizadas nos Ecopontos da Virada Sustentável, que abordaram temas como a produção excessiva de lixo da população e suas soluções.

Fabíola Pecce, representante do Instituto Lixo Zero, no Rio Grande do Sul, ministrou a roda de conversa “Como ser lixo zero”, onde temas como reciclagem e a não geração de resíduos foram abordados. “Um dos grandes objetivos que nós temos, quando falamos de lixo zero é não gerar; não conseguindo fazer isso, nosso compromisso é se envolver com a cadeia e saber como vamos desviar isso de aterros e da incineração”, diz Fabíola.

Segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), a geração de lixo no Brasil avançou cinco vezes mais em relação ao crescimento populacional em apenas quatro anos. Somente no ano de 2014, o país produziu cerca de 78,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos, o que significa que em média cada brasileiro produziu cerca de um quilo de lixo por dia.

Conforme Fabíola Pecce, lixo é, na verdade, resíduo que não colocamos no lugar correto. “O resíduo orgânico, por exemplo, temos duas opções, colocar em uma compostagem e fazer o processo natural que vai transformar o mesmo em terra novamente, onde podemos plantar, o que vai ser um círculo virtuoso. A segunda opção é colocar esse resíduo no lugar inadequado, onde será encaminhado para um lixão que irá acumular vetores, como ratos, baratas e até mosquitos”, explica. “Quando produzimos lixo, que é misturar todos os resíduos, estamos contribuindo com uma sociedade que não tem saúde, que gasta com o que não é necessário, se encaminharmos para a reciclagem, estamos criando um círculo virtuoso”, defende Fabíola.

O cidadão tem seu papel

Ser poluidor hoje não é conveniente para o consumidor nem para a indústria. Gustavo Fontana, diretor-geral do Departamento Municipal de Limpeza Urbana, fala que o consumidor tem que pressionar para que haja mudança. “Temos que fazer nosso papel de cidadão na questão de consumo, temos que pressionar enquanto cidadão para que algo mude”, ressalta.

Fabíola Pecce atenta também para que o consumidor saiba da procedência do seu produto. “Quando falamos de consumo consciente, precisamos saber de onde vem a matéria prima do que estamos usando? Quanto de energia é empregado na transformação? E o quanto sobra de resíduo daquela indústria? ”, questiona.

Jessica Pertile, representante do Lixo Zero em Curitiba, alerta sobre o crescimento do sistema econômico dentro de outro sistema, o da natureza. “Vivemos em um sistema econômico, dentro do sistema da natureza, e esse primeiro está contido dentro do segundo, quando o sistema econômico cresce mais que o da natureza é algo exponencial o crescimento da população, de geração de resíduos”, diz.

Erradicar lixões no Brasil vem sendo tarefa difícil

Em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos firmou uma meta, com um prazo de quatro anos para acabar com os lixões no Brasil. Passados dois anos do prazo final, o quadro não é positivo. Os dados indicam que o avanço que o país teve para cumprir com seu objetivo foi pequeno. Confira aqui os novos prazos.

Em uma pesquisa feita pela Abrelpe, até o ano de 2014 no Brasil cerca de 41% do lixo ainda era depositado em locais inadequados. No mesmo ano, cerca de 1.500 municípios brasileiros ainda tinham lixões. Em 2015 foi aprovado no Congresso Nacional um projeto que prorroga o prazo para que os municípios acabem com seus lixões. A proposta prevê o aumento do prazo de acordo com o tamanho da cidade.

Compostagem: uma alternativa prática para o tratamento do resíduo orgânico

De todo o lixo produzido no país, 60% é orgânico, 30% é reciclável e 10% é rejeito, que precisa ir para aterro. A conscientização ambiental é uma das principais causas para aderir à técnica de compostagem. Além da utilização como adubo, a compostagem reduz o perigo de matérias orgânicas, que normalmente geram gás e chorume, tornando o material inativo.

Flávia Sotto, advogada, especialista em direito socioambiental, aderiu à técnica ainda na faculdade. “Comecei a estudar a Política Nacional dos Resíduos Sólidos para fazer minha monografia, e, a partir disso, vendo a compostagem já com determinação legal desde 2010, comecei a pesquisar e querer saber mais sobre o assunto”, conta. O método pode ser usado sem receios, segundo Flávia. “Desenvolvo esse processo há quatro anos. É maravilhoso, não tem cheiro, não atrai insetos, a composteira fica do lado da mesa onde comemos. É ótimo”, garante.

Como ser uma mamãe sustentável?

No segundo Ecoponto, localizado no Parque Moinhos de Vento, a roda de conversa foi dedicada aos pequenos. Com o nome de “Como ser uma mamãe sustentável”, pais e mães discutiram e contaram suas experiências sobre quais são as melhores maneiras de ser sustentável em um mercado com poucas opções.

Beatriz Kats, dona de uma empresa que produz enxovais ecológicos, falou de como surgiu sua ideia e o que a levou a mudar seus hábitos. “Sou bióloga, então a sustentabilidade já fazia parte de mim, porém com a chegada do meu segundo filho, comecei a me importar muito mais; foi então que criei a empresa. Uma coisa é pensarmos em nós, outra é pensar no futuro deles”, conta Beatriz.

O futuro de seus filhos com certeza é uma das principais preocupações das mães, mas o que elas fazem e como fazem para que eles consigam ter uma melhor qualidade de vida ajudando o meio ambiente? Veja no vídeo abaixo um pouco do que foi debatido na roda:

Crédito fotos: Karem Rodrigues

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