Descaso geral

Descarte de lixo nas margens do Arroio Sarandi em Porto Alegre (RS) – Crédito: Leticia Szczesny
A falta de saneamento básico, a desatenção das autoridades e o descaso de muitos moradores fazem do Arroio Sarandi um esgoto a céu aberto, foco permanente de enchentes e doenças de veiculação hídrica. Água coletada pela reportagem do blog de jornalismo ambiental da UniRitter, analisada em laboratório da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, revelou índice elevado de poluentes oriundos de resíduos domésticos sem tratamento.

Por Leticia Szczesny e Taina Flores
Jornalismo Ambiental campus Fapa / Manhã

Colchão, sofá, roupeiro, geladeira, garrafa de bebida alcoólica, carcaça de carros, armários, sacolas plásticas, restos de alimentos e até embalagens de produtos químicos. Estes são itens normalmente encontrados em moradias, mas é em meio a uma rua de chão batido e nas margens de um arroio que eles estão. O Arroio Sarandi ou valão Sarandi, como é conhecido pelos moradores do bairro, é um grande depósito de lixo utilizado pelas próprias pessoas que ali vivem. Quem passa pela Rua Francisco Pinto da Fontoura, próximo à Avenida Dique, na Vila Elisabeth, um dos principais pontos de descarte, vê um descaso geral.

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Eles estão morrendo!

Baleia-de-Bryde de aproximadamente 13 metros encalhada em Imbé – Crédito: Ignacio Moreno / Ceclimar
A fauna marinha está ameaçada com a mudança do clima, com a falta de saneamento e com o lixo jogado nos mares, com destaque para a quantidade crescente de plástico. Para conhecer de perto as causas do problema e possíveis soluções, uma equipe de reportagem do blog de Jornalismo Ambiental da UniRitter foi até Imbé (RS) conversar com o diretor ajunto do Centro de Estudos Costeiros,  Limnológicos e Marinhos (Ceclimar / UFRGS), o biólogo Ignacio Benites Moreno, pesquisador de referência em mamíferos marinhos que habitam a rica costa gaúcha.

Por Ana Hoffmann, João Pedro Tavares e Alice Fortes
Jornalismo Ambiental campus Fapa / Noite

A ação humana tem salvado e condenado diversas espécies marinhas que habitam o Litoral Norte gaúcho. A prova disso está no Centro de Estudos Costeiros Limnológicos e Marinhos (Ceclimar / UFRGS), localizado na cidade de Imbé (RS). A rotina inclui resgate e tratamento de pinguins, leões marinhos, botos e tartarugas.

Uma grande parte dos animais direcionados para a reabilitação não sobrevive as primeiras 48 horas pelas mais variadas causas detectadas pelo centro.  Os bichos tem a vida ameaçada por despejo de resíduos, poluição, pesca predatória, mudança climática e a quantidade cada vez maior de plástico lançado no ambiente marinho. Continue lendo Eles estão morrendo!

O Jardim Botânico de Porto Alegre pede socorro

Parque abriga uma extensa variedade de vidas que vivem a incerteza da mudança de administração do local – Crédito: Daniela Knevitz
Com a decisão do governo gaúcho, sancionada pelo poder legislativo, de extinguir a Fundação Zoobotânica, transferindo suas atribuições para a Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, paira uma dúvida sobre o futuro do Jardim Botânico de Porto Alegre, considerado um dos melhores do Brasil.

Por Daiana Camillo, Daniela Knevitz e Larissa Zarpelon
Jornalismo Ambiental campus Fapa / Noite

A flora do Jardim Botânico de Porto Alegre é tão bonita que parece um quebra-cabeça, onde todas plantas que ali vivem se encaixam em seu devido lugar. É como se cada pedacinho de terra tivesse sido feito especialmente para abrigar as raízes de alguém que foi colocado ali com tanto amor, que jamais poderia sair.

No ano de 2016, o Jardim Botânico da capital gaúcha, um dos melhores do país, foi visitado por 63.294 mil pessoas e 327 escolas. Somente em janeiro e fevereiro de 2017,  passaram pelo local exatos 4.407 mil visitantes, que se mostram cada vez mais preocupados com o futuro do parque ameaçado de extinção pela gestão atual do Palácio Piratini. Continue lendo O Jardim Botânico de Porto Alegre pede socorro

Fundação Zoobotânica luta contra a sua extinção

Bolsistas Deivid Pereira e Dener Hiermann durante manifestação em prol da Fundação Zoobotânica realizada no Parque da Redenção na Semana de Porto Alegre – Crédito: Ana Paula Lima
Funcionários denunciam que o fim programado da Fundação Zoobotânica fragilizará ainda mais as políticas de conservação ambiental no Rio Grande do Sul, pois a Secretaria Estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) não apresenta condições de assumir as funções científicas desempenhadas atualmente pela FZB.

Por Ana Paula Lima, Nathalia Kerkhoven e Thayane Lopes
Jornalismo Ambiental campus Fapa / Noite

“Onde fica o Jardim Botânico? É um parque? Fica em Porto Alegre? A Fundação fica dentro desse Jardim Botânico? ”, responde ao telefone funcionário da Secretaria Estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema), que optou por não se identificar, ao ser perguntado sobre a extinção da Fundação Zoobotânica, decidida pelo Palácio Piratini com aval do Palácio Farroupilha. Continue lendo Fundação Zoobotânica luta contra a sua extinção

Refugiados da nova ponte do Guaíba

Famílias da Ilha Grande dos Marinheiros acompanham a ponte se aproximar cada vez mais de suas casas enquanto esperam notícias sobre o reassentamento – Crédito: Ana Carolina Pinheiro
A construção da Nova Ponte do Guaíba já é uma realidade. Enquanto muitos gaúchos aguardam ansiosamente a conclusão das obras, as famílias da Ilha Grande dos Marinheiros e de outras duas comunidades de Porto Alegre (Tio Zeca e Areia) esperam notícias sobre o processo de reassentamento. O desencontro de informações, o constante atraso nas obras, a possibilidade iminente de serem removidos de suas casas e o apego às plantas, aos animais e às construções que compõem o ambiente da comunidade vêm assombrando os moradores, que esperam desde 2014 pela remoção.

Por Ana Carolina Pinheiro e Lucas Silveiro de Arruda
Jornalismo Ambiental campus Zona Sul / Noite

Foi numa tarde de trabalho que Imaculada Galvão nos recebeu na sede da Cooperativa Resgatando a Dignidade, na Ilha Grande dos Marinheiros. Com muito orgulho ela nos apresenta um peso de porta feito com caixa de leite, em formato de sofá, como sendo o mais novo produto da Cooperativa, que busca transformar o lixo reciclável em artesanato. Porém, toda essa animação some de seu rosto quando anunciamos o tema da nossa conversa: a construção da Nova Ponte do Guaíba e o reassentamento dos moradores da Ilha. Continue lendo Refugiados da nova ponte do Guaíba

Quem tem medo do arroio Feijó?

Parte do arroio Feijó que se situa no bairro de Americana, em Alvorada. Rua ao lado do arroio é conhecida pelos moradores como “Beira Arroio” – Crédito: Robson Hermes
Cheias ocasionadas por falta de planejamento urbano e descaso ambiental afetam centenas de moradores no município de Alvorada (RS)

Por Bruno Raupp, Lidiane Moraes e Robson Hermes 
Jornalismo Ambiental campus Fapa / Noite

De uma hora para outra o céu muda de cor. As nuvens brancas e silenciosas transformam-se em um manto acinzentado. O sol, que cobria os telhados e o asfalto, desaparece como se nunca tivesse acordado. Um trovão irrompe estrondoso no horizonte. Os pingos de chuva começam a cair rapidamente. Nesse instante, o arroio Feijó, que fica a poucos metros da casa de Carlos, começa a encher de forma vertiginosa.

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Tempestades no horizonte

O evento climático que atingiu São Francisco de Paula no mês de março será mais frequente e intenso em um planeta mais quente – Crédito: Sidd Rodrigues
Tornados, cheias e supertempestades estão se tornando eventos climáticos cada vez mais comuns na Região Sul do Brasil. Estamos preparados? Para compreender a realidade de um planeta mais quente, a reportagem do blog de jornalismo ambiental da UniRitter esteve em São Francisco de Paula, assolada em março por um tornado, e no Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, referência em pesquisas sobre mudança do clima.

Por Sidd Rodrigues e Ariel Freitas
Jornalismo Ambiental campus Fapa / Manhã

Num piscar de olhos, o dia virou noite em São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha. A manhã daquele domingo, 12 de março, foi engolida pela muralha de nuvens vinda do oeste. Eram 7h50 da manhã quando, levadas por um tornado – com ventos estimados em mais de 140 km/h – centenas de residências, prédios comerciais e públicos foram arrancados do chão, jogados aos ares, deixando para trás um rastro de destruição. Um mês depois, ainda restavam as cenas de terror. Nos cacos de vidro espalhados pelas ruas, nas vigas de ferro retorcidas pelo vendaval ou na memória de uma população traumatizada.

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Ilhados pelo esquecimento

Crianças brincam no rio poluído de baixo da rodovia federal – Crédito: Lúcia Haggstrom
Moradores da Ilha Grande dos Marinheiros sofrem sem saneamento básico por descaso das autoridades. Além de viverem dentro de duas unidades de conservação no Delta do Jacuí, um Parque Estadual e uma Área de Preservação Ambiental, também entraram na área de construção da nova ponte do Guaíba.

Por Victória Alfama, Lúcia Haggstrom e Evelyn Lucena
Jornalismo Ambiental Campus Fapa / Manhã

A Ilha Grande dos Marinheiros, localizada na segunda parada da BR-290, a rodovia federal que liga Porto Alegre ao sul do Estado, há apenas sete quilômetros do centro de Porto Alegre, é o local com o menor Índice de Desenvolvimento Humano da região metropolitana. As políticas públicas básicas parecem não chegar lá. Junto com o descaso, na ilha reina a calmaria, quebrada pelo barulho dos aviões pousando e decolando e dos veículos que passam na rodovia que atravessa o bairro Arquipélago. As casas foram construídas com madeira de restos de obras. Continue lendo Ilhados pelo esquecimento

Tem uma lei no meio do caminho

Desde 2008, Porto Alegre conta com uma legislação própria para catadores – Crédito: Ulisses Miranda
O caminho – tortuoso e torturante – da vida de um carrinheiro de Porto Alegre conta com mais um obstáculo.

 

Por Ulisses Miranda, Matheus Closs e Deise Freitas

Jornalismo Ambiental Campus Fapa / Noite

 

No meio do caminho de Valmir Porto Pressler, tem uma lei. O morador da Vila da Beira do Rio, no bairro Humaitá, é conhecido pelos vizinhos como Tampinha. Natural de Porto Alegre, Valmir não sabe dizer, com precisão, sua idade. Sabe, contudo, que desde muito jovem, nesses anos incertos, circula nas ruas da capital gaúcha atrás de materiais recicláveis e comercializáveis. Com seu carrinho, percorre quase quatro quilômetros de casa até a Praça Pinheiro Machado, entre os bairros Navegantes e São Geraldo. Porém, desde que chegou a vila, há quatro anos, o Rio Jacuí também entrou na sua rota. Continue lendo Tem uma lei no meio do caminho

Indústrias com alto potencial poluidor com emissão de efluentes no lago Guaíba

Mapa elaborado pelo professor da disciplina de Jornalismo Ambiental da UniRitter, Roberto Villar Belmonte, como exemplo de pesquisa em banco de dados e visualização.  Ele mostra a posição geográfica das dez indústrias de alto potencial poluidor, de porte grande e excepcional localizadas em Porto Alegre e Guaíba, com emissão de efluente industrial tratado autorizada pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), o órgão ambiental do Rio Grande do Sul.

Os dados foram apurados durante a disciplina Jornalismo Ambiental em Dados no PPGCOM / UFRGS no segundo semestre de 2016. Tutorial da investigação disponível aqui.