Arquivo da categoria: Reportagem

Fundação Zoobotânica luta contra a sua extinção

Bolsistas Deivid Pereira e Dener Hiermann durante manifestação em prol da Fundação Zoobotânica realizada no Parque da Redenção na Semana de Porto Alegre – Crédito: Ana Paula Lima
Funcionários denunciam que o fim programado da Fundação Zoobotânica fragilizará ainda mais as políticas de conservação ambiental no Rio Grande do Sul, pois a Secretaria Estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) não apresenta condições de assumir as funções científicas desempenhadas atualmente pela FZB.

Por Ana Paula Lima, Nathalia Kerkhoven e Thayane Lopes
Jornalismo Ambiental campus Fapa / Noite

“Onde fica o Jardim Botânico? É um parque? Fica em Porto Alegre? A Fundação fica dentro desse Jardim Botânico? ”, responde ao telefone funcionário da Secretaria Estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema), que optou por não se identificar, ao ser perguntado sobre a extinção da Fundação Zoobotânica, decidida pelo Palácio Piratini com aval do Palácio Farroupilha. Continue lendo Fundação Zoobotânica luta contra a sua extinção

Refugiados da nova ponte do Guaíba

Famílias da Ilha Grande dos Marinheiros acompanham a ponte se aproximar cada vez mais de suas casas enquanto esperam notícias sobre o reassentamento – Crédito: Ana Carolina Pinheiro
A construção da Nova Ponte do Guaíba já é uma realidade. Enquanto muitos gaúchos aguardam ansiosamente a conclusão das obras, as famílias da Ilha Grande dos Marinheiros e de outras duas comunidades de Porto Alegre (Tio Zeca e Areia) esperam notícias sobre o processo de reassentamento. O desencontro de informações, o constante atraso nas obras, a possibilidade iminente de serem removidos de suas casas e o apego às plantas, aos animais e às construções que compõem o ambiente da comunidade vêm assombrando os moradores, que esperam desde 2014 pela remoção.

Por Ana Carolina Pinheiro e Lucas Silveiro de Arruda
Jornalismo Ambiental campus Zona Sul / Noite

Foi numa tarde de trabalho que Imaculada Galvão nos recebeu na sede da Cooperativa Resgatando a Dignidade, na Ilha Grande dos Marinheiros. Com muito orgulho ela nos apresenta um peso de porta feito com caixa de leite, em formato de sofá, como sendo o mais novo produto da Cooperativa, que busca transformar o lixo reciclável em artesanato. Porém, toda essa animação some de seu rosto quando anunciamos o tema da nossa conversa: a construção da Nova Ponte do Guaíba e o reassentamento dos moradores da Ilha. Continue lendo Refugiados da nova ponte do Guaíba

Quem tem medo do arroio Feijó?

Parte do arroio Feijó que se situa no bairro de Americana, em Alvorada. Rua ao lado do arroio é conhecida pelos moradores como “Beira Arroio” – Crédito: Robson Hermes
Cheias ocasionadas por falta de planejamento urbano e descaso ambiental afetam centenas de moradores no município de Alvorada (RS)

Por Bruno Raupp, Lidiane Moraes e Robson Hermes 
Jornalismo Ambiental campus Fapa / Noite

De uma hora para outra o céu muda de cor. As nuvens brancas e silenciosas transformam-se em um manto acinzentado. O sol, que cobria os telhados e o asfalto, desaparece como se nunca tivesse acordado. Um trovão irrompe estrondoso no horizonte. Os pingos de chuva começam a cair rapidamente. Nesse instante, o arroio Feijó, que fica a poucos metros da casa de Carlos, começa a encher de forma vertiginosa.

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Tempestades no horizonte

O evento climático que atingiu São Francisco de Paula no mês de março será mais frequente e intenso em um planeta mais quente – Crédito: Sidd Rodrigues
Tornados, cheias e supertempestades estão se tornando eventos climáticos cada vez mais comuns na Região Sul do Brasil. Estamos preparados? Para compreender a realidade de um planeta mais quente, a reportagem do blog de jornalismo ambiental da UniRitter esteve em São Francisco de Paula, assolada em março por um tornado, e no Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, referência em pesquisas sobre mudança do clima.

Por Sidd Rodrigues e Ariel Freitas
Jornalismo Ambiental campus Fapa / Manhã

Num piscar de olhos, o dia virou noite em São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha. A manhã daquele domingo, 12 de março, foi engolida pela muralha de nuvens vinda do oeste. Eram 7h50 da manhã quando, levadas por um tornado – com ventos estimados em mais de 140 km/h – centenas de residências, prédios comerciais e públicos foram arrancados do chão, jogados aos ares, deixando para trás um rastro de destruição. Um mês depois, ainda restavam as cenas de terror. Nos cacos de vidro espalhados pelas ruas, nas vigas de ferro retorcidas pelo vendaval ou na memória de uma população traumatizada.

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Ilhados pelo esquecimento

Crianças brincam no rio poluído de baixo da rodovia federal – Crédito: Lúcia Haggstrom
Moradores da Ilha Grande dos Marinheiros sofrem sem saneamento básico por descaso das autoridades. Além de viverem dentro de duas unidades de conservação no Delta do Jacuí, um Parque Estadual e uma Área de Preservação Ambiental, também entraram na área de construção da nova ponte do Guaíba.

Por Victória Alfama, Lúcia Haggstrom e Evelyn Lucena
Jornalismo Ambiental Campus Fapa / Manhã

A Ilha Grande dos Marinheiros, localizada na segunda parada da BR-290, a rodovia federal que liga Porto Alegre ao sul do Estado, há apenas sete quilômetros do centro de Porto Alegre, é o local com o menor Índice de Desenvolvimento Humano da região metropolitana. As políticas públicas básicas parecem não chegar lá. Junto com o descaso, na ilha reina a calmaria, quebrada pelo barulho dos aviões pousando e decolando e dos veículos que passam na rodovia que atravessa o bairro Arquipélago. As casas foram construídas com madeira de restos de obras. Continue lendo Ilhados pelo esquecimento

Tem uma lei no meio do caminho

Desde 2008, Porto Alegre conta com uma legislação própria para catadores – Crédito: Ulisses Miranda
O caminho – tortuoso e torturante – da vida de um carrinheiro de Porto Alegre conta com mais um obstáculo.

 

Por Ulisses Miranda, Matheus Closs e Deise Freitas

Jornalismo Ambiental Campus Fapa / Noite

 

No meio do caminho de Valmir Porto Pressler, tem uma lei. O morador da Vila da Beira do Rio, no bairro Humaitá, é conhecido pelos vizinhos como Tampinha. Natural de Porto Alegre, Valmir não sabe dizer, com precisão, sua idade. Sabe, contudo, que desde muito jovem, nesses anos incertos, circula nas ruas da capital gaúcha atrás de materiais recicláveis e comercializáveis. Com seu carrinho, percorre quase quatro quilômetros de casa até a Praça Pinheiro Machado, entre os bairros Navegantes e São Geraldo. Porém, desde que chegou a vila, há quatro anos, o Rio Jacuí também entrou na sua rota. Continue lendo Tem uma lei no meio do caminho

De galho em galho, os corredores que salvam a vida nativa

Espécies em risco de extinção, como o bugio-ruivo, se beneficiam dos corredores para se reproduzir - Crédito: Projeto Corredores de Vida Nativa / Divulgação
Espécies em risco de extinção, como o bugio-ruivo, se beneficiam dos corredores para se reproduzir – Crédito: Projeto Corredores de Vida Nativa / Divulgação
O crescimento desorganizado de Porto Alegre criou uma barreira urbana para a fauna que vive no Morro do Osso, impossibilitada de se deslocar entre as áreas verdes da região. Além de trazer diversos problemas às espécies, alguns animais, como o bugio-ruivo, sofrem risco de serem extintos. Um projeto de corredores ecológicos tenta contornar a situação.

Por Débora Neto
Jornalismo Ambiental / Manhã

Imagine você e sua família isolados em uma ilha. Sem conseguir sair dali, vocês teriam que arranjar formas de se alimentar e de se reproduzir. É aí que começam os problemas. Em algum momento acabaria a comida. A espécie seria contaminada pelos efeitos da reprodução entre parentes próximos. Uma doença não atingiria um, mas todos que ali estivessem e em caso de desastres naturais, sem ter pra onde fugir, todos seriam mortos. Agora imagine que já existem famílias vivendo nessa situação. Continue lendo De galho em galho, os corredores que salvam a vida nativa

Ativismo alimentar: um debate além da mesa

A luta por uma alimentação sem derivados animais faz parte dos movimentos libertários?

Por Évilin Matos
Jornalismo Ambiental / Manhã

Na cozinha sem micro-ondas, Lis Rosinato, 30 anos, oferta cursos de culinária para turmas de no máximo 10 pessoas. Quando eram ministrados apenas no restaurante vegano Bonobo, nem fogão possuía. Lis é crudívora, come alimentos crus há dois anos. Aderiu ao movimento para não sentir mais dor.

Quando pesava 100 quilos sofria de depressão, ansiedade, Síndrome do Intestino Irritável, diabetes, colesterol e triglicerídeos altos, acúmulo de gordura no fígado, Síndrome do Ovário Policístico, hipotireoidismo, dor de cabeça, rinite, dermatites de contato, ressecamento da pele, oleosidade no rosto, descamação, micoses, gastrite, esteatose hepática, anemia, desregulação hormonal. “Eu tinha praticamente um remédio para cada órgão do corpo”, lembra Lis Rosinato.

Para Lis Rosinato, a principal diferença da medicina alimentar é que não cura só o corpo como também a parte psicológica - Crédito: Évilin Matos
Para Lis Rosinato, a principal diferença da medicina alimentar é que não cura só o corpo como também a parte psicológica – Crédito: Évilin Matos

Ela conheceu o crudivorismo no documentário Morrendo por não saber – sobre a dieta alimentar criada pelo médico alemão Max Gerson (1881-1959). Começou introduzindo 40% de alimentos crus na rotina. Com o início das melhoras, largou o emprego e vendeu o carro para custear uma viagem a São Paulo e ao Rio de Janeiro para aprender mais sobre a alimentação.

“Quando se tem uma alimentação vegana ou crudívora melhoramos num todo. É como se fosse só um remédio que te alivia de tudo. Essa é a principal diferença da medicina ocidental para essa medicina alimentar. A gente cura não só o corpo como a parte psicológica”, enfatiza. Continue lendo Ativismo alimentar: um debate além da mesa

O pedal conquista as ruas de Porto Alegre

A bicicleta é meio de empoderamento da mulher nas cidades – Crédito: Gisele Barbosa
A bicicleta é meio de empoderamento da mulher nas cidades – Crédito: Gisele Barbosa
As ruas e avenidas movimentadas da capital gaúcha servem de palco para diversos grupos de cicloativistas. De acordo com a Parceria Nacional Pela Mobilidade em Bicicleta, há uma revolução acontecendo nas cidades brasileiras. A integração deste meio de transporte à propulsão humana ao sistema de trânsito é pauta nos encontros do grupo Pedal das Gurias.

Por Gisele Barbosa
Jornalismo ambiental / Manhã

A bicicleta deixou de ser apenas um meio de lazer em Porto Alegre. De acordo com os resultados do Perfil do Ciclista Brasileiro, 85,8% dos ciclistas entrevistados utilizam a bicicleta na capital gaúcha como principal meio de transporte para ir até o local de trabalho. Continue lendo O pedal conquista as ruas de Porto Alegre

Mulheres das mãos verdes

No Sítio de Carolina, os cuidados com o plantio orgânico são redobrados já que a briga com lagartas e besouros é diária – Crédito: Arquivo Pessoal
No Sítio de Carolina, os cuidados com o plantio orgânico são redobrados já que a briga com lagartas e besouros é diária – Crédito: Arquivo Pessoal
Três mulheres transformaram seus ideais em negócio. Apostaram em suas crenças de uma relação amigável e respeitável com o planeta ao escolherem pelos produtos orgânicos e veganos. Cada uma com uma história diferente, mas com pontos em comum, as três defensoras do meio ambiente contam como iniciaram a trilhar esse caminho.

Por Débora Neto
Jornalismo Ambiental / Manhã

Após anos trabalhando com produção audiovisual, moda e publicidade, Paola Salerno encontrou seu verdadeiro amor quando decidiu transformar seu hobby em profissão. Formada em jornalismo e cinema, passou a infância frequentando a fazenda de seus avós maternos, onde ficou muito íntima da agricultura de subsistência – plantio em pequenas propriedades que utiliza métodos tradicionais de cultivo para garantir a sobrevivência do agricultor e de sua família – até sua fase adulta, quando foi se distanciando. O que ela não esperava era que, ao entrar na faculdade de gastronomia, em uma cadeira voltada para sustentabilidade, ela reencontraria suas raízes em um caminho sem volta. Continue lendo Mulheres das mãos verdes