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Privada de escolha?

Urinar na água que posteriormente beberemos é a escolha certa? – Crédito: Matheus Closs
No dicionário, privada significa, quando adjetivo: alvo de restrição, limitação, que perdeu ou deixou de ter a posse sobre algo. Quando substantivo feminino, trata-se de uma peça de louça usada para dejeções (urina e fezes), uma latrina, um vaso sanitário. Na história de Porto Alegre o uso indiscriminado do Guaíba como “banheiro” é recorrente – desde os tempos em que o sotaque português imperava na província. Em uma planície circundada por morros, a opção mais viável para descarte – dados os recursos da época – foi o lago. Mais de dois séculos após a fundação da Capital gaúcha e o esgoto de inúmeras residências ainda vai, sem nenhum tratamento, direto para as águas do Guaíba.

Por Deise Freitas, Matheus Closs e Ulisses Miranda
Jornalismo Ambiental – Campus Fapa / Noite

A cidade de Porto Alegre foi fundada em 1772, às margens do Guaíba, seu principal manancial hídrico. Para ele convergem quatro rios: o Jacuí, o Caí, o Sinos e o Gravataí. A bacia, de 85.950 km², estabeleceu desde o início uma íntima e essencial relação com seus colonizadores, os casais de açorianos vindos de Portugal.

Os primeiros registros públicos dimensionam um pouco dessa relação histórica. Logo no ano de 1779 foi aprovada a construção de duas fontes públicas, uma localizada onde agora está a Praça Argentina e outra na atual Rua Jerônimo Coelho. No século seguinte, em 1837, o Código de Posturas designava locais para despejo, na antiga orla do Guaíba, de “ciscos e imundícies”.

“Era a maneira como se chamava todo e qualquer dejeto. No texto da legislação da época consta apenas ciscos e ‘immundícies’, com essa grafia mesmo”, conta a aluna do curso de Museologia da UFRGS, Clarice Alves, durante visita da reportagem do blog de Jornalismo Ambiental da UniRitter ao Arquivo Histórico, na  avenida Bento Gonçalves, em Porto Alegre. Continue lendo Privada de escolha?

Moradores de Guaíba convivem com o custo ambiental do progresso

Moradores do entorno da CMPC Celulose Riograndense reclamam do impacto ambiental da fábrica quadruplicada - Crédito: Isabelle Silva
Moradores do entorno da CMPC Celulose Riograndense reclamam do impacto ambiental da fábrica quadruplicada – Crédito: Isabelle Silva
Após quadruplicação da fábrica CMPC Celulose Riograndense, moradores e ambientalistas se veem preocupados com o futuro de Guaíba.

Por Isabelle Silva
Jornalismo Ambiental / Manhã

No ano de 2013, a cidade de Guaíba teve uma grande surpresa: a fábrica Celulose Riograndense aumentaria de tamanho. Um conjunto de iniciativas desenvolvidas com diferentes colaboradores locais, estaduais e federais trouxe para a cidade um grande salto no aspecto tecnologia e desenvolvimento.

A fábrica ofereceu um número significativo de empregos e projetos sociais. Porém, após a criação da segunda fábrica, aumentando a produção de celulose branqueada de eucalipto de 450 mil toneladas para 1,75 milhão de toneladas anuais, cresceu também a preocupação entre os moradores das redondezas. Continue lendo Moradores de Guaíba convivem com o custo ambiental do progresso